'Se sou esquecido,
devo esquecer também,
Pois amor é feito espelho:
tem que ter reflexo.'
sábado, 26 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
quinta-feira, 10 de março de 2011
Vem cá. Chega mais perto. Sente? Diz que sim, vai. Tem que chegar bem perto, perto a ponto de ouvir o tum-tum do coração, a respiração, o calor do corpo aquecendo ao redor. Você consegue fazer um esforço e tentar olhar para o que passou sem alguma mágoa? O rancor trava a gente, faz qualquer tipo de saudade perder o ônibus, o prazo, o sentido. Não quero, não pode. A gente sentiu amor por um segundo. Era, não era? Diz pra mim, fala assim, devagar, olhando no meu olho, afastando a decadência injusta do fim.
Tive medo de ficar perto, bem perto assim. Perto a ponto de ouvir o tum-tum do coração, a respiração, o calor do corpo aquecendo ao redor. Medo, essa palavra que anda junto com o amor. Naquela hora era, era medo, era amor. Naquela hora era ilusão, essa palavra que fica na frente do amor, a guarda-costas do amor, se vier uma bala perdida, tum, acerta a ilusão. Naquela hora era pra ser amor, então ele tinha que ficar vivo.
Ficou um vazio de repente. Se era pra ser amor, se ele tinha guarda-costas, se sobreviveu, era pra ter resistido, não era? Por que o vazio intenso e doído? Por que a sensação de ter caído do décimo quinto andar? Por que, se era amor? Não era? O vazio deu lugar a uma ânsia de vômito, um embrulho que fazia o mundo girar rapidamente. Porque perdemos tanto tempo numa coisa que nunca foi. O amor não questiona, ele é.
Tive medo de ficar perto, bem perto assim. Perto a ponto de ouvir o tum-tum do coração, a respiração, o calor do corpo aquecendo ao redor. Medo, essa palavra que anda junto com o amor. Naquela hora era, era medo, era amor. Naquela hora era ilusão, essa palavra que fica na frente do amor, a guarda-costas do amor, se vier uma bala perdida, tum, acerta a ilusão. Naquela hora era pra ser amor, então ele tinha que ficar vivo.
Ficou um vazio de repente. Se era pra ser amor, se ele tinha guarda-costas, se sobreviveu, era pra ter resistido, não era? Por que o vazio intenso e doído? Por que a sensação de ter caído do décimo quinto andar? Por que, se era amor? Não era? O vazio deu lugar a uma ânsia de vômito, um embrulho que fazia o mundo girar rapidamente. Porque perdemos tanto tempo numa coisa que nunca foi. O amor não questiona, ele é.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Caio Fernando Abreu
E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a
palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o
cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro
forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns.
Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não
enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes,
no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que
chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, No tão íntimo, mas tão íntimo
que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As
pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. O
que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa
quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai
rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum
sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do
outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até
pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o
que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito
fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo
que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa
aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a
coragem da própria merda. E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será
coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. O que vale é ter conhecido o
corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo.
Porque então você se ama também.
é,acho que amei..
E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a
palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o
cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro
forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns.
Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não
enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes,
no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que
chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, No tão íntimo, mas tão íntimo
que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As
pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. O
que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa
quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai
rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum
sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do
outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até
pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o
que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito
fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo
que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa
aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a
coragem da própria merda. E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será
coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. O que vale é ter conhecido o
corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo.
Porque então você se ama também.
é,acho que amei..
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